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George Santos fez alarde sobre seu lugar no discurso do Estado da União, mas depois apostou que não iria comparecer

O ex-congressista norte-americano George Santos prometeu publicamente que compareceria ao discurso do Estado da União do presidente Trump em fevereiro, mas depois, discretamente, apostou na Kalshi que não compareceria, segundo pessoas a par de suas transações. O mercado de previsões congelou sua conta e encaminhou o caso a dois órgãos reguladores federais, os quais abriram investigações por uso de informação privilegiada contra um político já condenado por fraude.

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George Santos fez alarde sobre seu lugar no discurso do Estado da União, mas depois apostou que não iria comparecer

Principais conclusões

  • A Kalshi estimava a probabilidade de Santos comparecer ao discurso do Estado da União em cerca de 75% antes que sua ausência fizesse as cotações despencarem.
  • O Departamento de Justiça (DOJ) e a CFTC abriram investigações depois que Santos supostamente lucrou dezenas de milhares de dólares.
  • Seu caso segue as investigações da Polymarket sobre uma negociação de US$ 1,2 milhão envolvendo o Google e uma aposta de US$ 400 mil na captura de Maduro.

Um fraudador condenado acaba no centro de uma investigação de uso de informação privilegiada que se amplia

O episódio começou quatro meses depois que Santos saiu da prisão federal após uma pena comutada por Trump, encurtando uma sentença de 87 meses por fraude eletrônica e roubo de identidade agravado ligados à sua campanha de 2022. Segundo reportagem da NPR, em um vídeo postado no X no dia anterior ao discurso, ele disse aos seguidores que assistiria da galeria. No Kalshi, onde traders haviam apostado milhões sobre quem compareceria, sua confirmação elevou as chances de sua aparição para 75%.

Ele nunca apareceu. “Assistir ao SOTU pela TV de um aeroporto não fazia parte do plano”, postou Santos enquanto Trump falava, e o mercado despencou. O que ele omitiu, segundo a NPR, foi que já havia apostado contra sua própria presença, embolsando um lucro de dezenas de milhares às custas dos apostadores do outro lado.

A Kalshi detectou a atividade, congelou a conta e encaminhou o caso à CFTC e ao Departamento de Justiça, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto. Nenhuma das agências respondeu aos pedidos de comentário, e o mercado de previsões também se recusou a discutir o caso. Contatado por repórteres, Santos disse que a investigação era “novidade para ele” e não confirmou a conta: “Não estou dizendo sim, não estou dizendo não.”

Santos se junta a uma lista cada vez maior de traders acusados de converter informações privilegiadas em lucro no mercado de previsões. Na semana passada, promotores acusaram um engenheiro do Google que ganhou mais de US$ 1,2 milhão em negociações no Polymarket ligadas a dados confidenciais de pesquisa. Em abril, um soldado americano foi acusado de ganhar mais de US$ 400 mil apostando na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. Legisladores e a CFTC têm alertado repetidamente que o crescimento vertiginoso dos mercados ultrapassou suas salvaguardas.

O que diferencia o caso de Santos é a fonte da vantagem: o próprio apostador. A Kalshi divulgou em fevereiro que havia aberto mais de 200 investigações de uso de informação privilegiada no ano anterior, das quais uma dúzia se tornou casos ativos. O ex-deputado continua sendo uma figura constante no mercado que ele é acusado de manipular; no mês passado, os traders apostaram quase US$ 90.000 em quais palavras ele diria em uma única entrevista à Newsmax.