Um novo estudo acadêmico conclui que a precisão do mercado de previsões na Polymarket se deve a um pequeno grupo de participantes bem informados, e não à ampla multidão de participantes a quem o setor costuma atribuir o mérito.
Estudo da Polymarket revela precisão de 3,14%

Principais conclusões:
- Pesquisadores da London Business School e da Universidade de Yale descobriram que apenas 3,14% das contas do Polymarket se qualificam como experientes, mas são responsáveis pela maior parte da descoberta de preços.
- Os traders qualificados do Polymarket mantiveram sua classificação em 44% das vezes fora da amostra, em comparação com apenas 10% para fundos mútuos qualificados.
- A CFTC apresentou uma denúncia de uso de informação privilegiada em 23 de abril de 2026 relacionada a um contrato da Polymarket sobre a destituição de Nicolás Maduro do poder.
Estudo publicado na SSRN abrange 98.906 eventos no Polymarket
O artigo, intitulado “Precisão do mercado de previsão: sabedoria da multidão ou minoria informada?”, foi publicado em 20 de abril de 2026 na SSRN e revisado em 25 de abril de 2026. Foi de autoria de Roberto Gomez-Cram, Yunhan Guo e Howard Kung, da London Business School, e Theis Ingerslev Jensen, da Universidade de Yale.
Os pesquisadores analisaram o histórico completo de transações no Polymarket, o maior mercado de previsão do mundo em volume de negociação. O estudo abrangeu 98.906 eventos, 210.322 mercados e US$ 13,76 bilhões em volume total de negociação em 1,72 milhão de contas.
Utilizando um método estatístico chamado teste de randomização de sinais, os autores classificaram os traders em grupos distintos com base no fato de seus lucros refletirem habilidade genuína ou mero acaso.
As descobertas contrariam uma suposição amplamente difundida. Plataformas de mercado de previsão, incluindo a Kalshi e a própria Polymarket, costumam descrever sua precisão como o produto da inteligência coletiva de um grupo diversificado de participantes. O estudo desafia diretamente essa interpretação.
Apenas 3,14% das contas da Polymarket se qualificaram como vencedores habilidosos. Esses traders obtiveram lucros persistentes que se mantiveram fora da amostra, negociaram em uma média de 79 mercados cada um e posicionaram-se consistentemente na direção dos resultados finais. Os 96% restantes das contas ou empataram por sorte ou perderam dinheiro.
Os autores descobriram que o fluxo de ordens dos traders habilidosos previa tanto as variações de preço do período seguinte quanto os resultados finais do mercado em níveis estatisticamente significativos. Um aumento de um ponto percentual nas compras líquidas dos traders habilidosos correspondia a um aumento de 8 pontos-base na probabilidade do resultado final correto. Os vencedores por sorte, apesar de apresentarem saldos positivos nas contas, não demonstraram nenhum poder preditivo significativo em nenhum dos testes.
O volume mensal de negociações da Polymarket subiu de US$ 3,3 milhões em dezembro de 2023 para US$ 1,98 bilhão em dezembro de 2025, um aumento de quase 600 vezes em dois anos. No mesmo período, as contas ativas passaram de cerca de 1.600 para mais de 519.000. Apesar desse crescimento, a concentração de habilidade permaneceu restrita.
O estudo também testou a persistência da habilidade. Os pesquisadores dividiram os eventos aleatoriamente em conjuntos de treinamento e de teste. Entre os traders classificados como habilidosos no treinamento, 44% mantiveram essa classificação no conjunto de teste. Entre os perdedores inhabilidosos, 51% permaneceram nessa categoria. Em comparação, fundos mútuos habilidosos em um teste paralelo mantiveram sua classificação em apenas 10% das vezes. Os autores descrevem os mercados de previsão como apresentando uma persistência incomumente alta tanto da habilidade quanto da anti-habilidade.
Os operadores habilidosos também responderam primeiro quando notícias programadas chegavam. Em testes que abrangeram anúncios do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e divulgações de resultados corporativos, apenas o grupo habilidoso alterou seu desequilíbrio de ordens na direção da surpresa da notícia dentro de uma janela estreita em torno de cada divulgação. Outros grupos não mostraram resposta consistente. O artigo examinou separadamente o uso de informações privilegiadas.
Os pesquisadores identificaram 1.950 contas que atendiam aos critérios de tempo e convicção, sugerindo que elas negociavam com base em informações não públicas. Essas contas tiveram, em média, cerca de US$ 15.000 em lucros cada e causaram grandes efeitos nos preços quando negociavam. Um caso documentado envolveu três contas que assumiram posições em um contrato vinculado ao presidente venezuelano Nicolás Maduro horas antes de uma operação militar secreta dos EUA em 3 de janeiro de 2026, lucrando coletivamente mais de US$ 630.000.
Em 23 de abril de 2026, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) apresentou uma denúncia alegando que um militar do Exército dos EUA na ativa se envolveu em uso de informação privilegiada usando uma dessas contas. Apesar desses efeitos sobre os preços, os pesquisadores concluíram que a atividade de uso de informação privilegiada estava muito concentrada em eventos isolados para explicar a ampla descoberta de preços em toda a plataforma.

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A maioria dos participantes, segundo o estudo, financiou a precisão em vez de produzi-la. Perdedores azarados e inexperientes representavam 67% de todas as contas e absorveram a totalidade das perdas agregadas. Formadores de mercado e compradores experientes, juntos, representavam menos de 3,5% das contas, mas captaram mais de 30% dos ganhos totais.
Os autores concluem que a precisão do mercado de previsão reflete o comportamento de um pequeno grupo identificável de traders bem informados, cuja participação é o mecanismo por trás da formação de preços. Se esses traders continuarão participando à medida que as plataformas crescem e as taxas aumentam permanece uma questão em aberto que o artigo deixa para pesquisas futuras.














