A Tether abandonou um investimento de cerca de US$ 120 milhões em mineração de Bitcoin no Uruguai depois que uma disputa com a empresa estatal de energia se transformou em contas não pagas, corte de energia e demissões, de acordo com uma investigação da Reuters.
A aposta de US$ 120 milhões da Tether na mineração de bitcoins no Uruguai termina em disputa por energia

Este artigo foi publicado originalmente na The Energy Mag. O artigo original pode ser acessado aqui. A The Energy Mag (anteriormente The Miner Mag) oferece notícias, dados e análises sobre a relação entre energia, computação e mercados.
O fracasso deixou pouco a mostrar do que havia sido planejado como campo de testes da Tether para uma expansão mais ampla pela América do Sul. Isso também ilustra a vulnerabilidade da mineração de Bitcoin aos custos de energia e aos termos contratuais, mesmo em países com eletricidade renovável abundante.
A Tether investiu cerca de US$ 60 milhões em cada uma das duas instalações no departamento rural de Florida, no Uruguai, informou a Reuters, citando a avaliação de um ex-contratado. A empresa nunca divulgou o valor do investimento. Com um valor aproximado de US$ 120 milhões, o projeto equivaleria a cerca de 6% do investimento estrangeiro direto anual do Uruguai, que a Reuters estimou em cerca de US$ 2 bilhões.
A emissora da stablecoin entrou no Uruguai em maio de 2023, descrevendo o país como uma base atraente devido aos seus recursos de energia renovável e à rede elétrica já estabelecida. A Tether afirmou na época que investiria na produção de energia e lançaria operações sustentáveis de mineração de Bitcoin com uma empresa licenciada localmente, embora tenha fornecido poucos detalhes financeiros ou operacionais em seu anúncio.
As operações geraram receita inicialmente, de acordo com ex-contratados entrevistados pela Reuters. Posteriormente, o relacionamento se deteriorou devido a divergências sobre a quantidade de eletricidade que as instalações tinham direito a receber da UTE, a concessionária estatal do Uruguai.
A Tether interpretou um valor em seu contrato de energia como uma cota mínima de fornecimento que poderia ser aumentada posteriormente, enquanto a UTE o tratava como um teto, informou a Reuters. À medida que a demanda por eletricidade nas instalações aumentava, as unidades às vezes ficavam sem energia suficiente por dias.
A divergência já estava em andamento em novembro de 2024. Ela se intensificou no ano seguinte, após a posse do governo de esquerda do presidente Yamandú Orsi e a nomeação de uma nova diretoria na UTE, segundo entrevistas da Reuters. Um ex-contratado afirmou que os novos diretores da concessionária adotaram uma postura mais rígida nas negociações, embora a Tether e sua entidade uruguaia, a Microfin, não tenham respondido aos pedidos da Reuters para comentar sobre o contrato.
A Microfin deixou de pagar suas contas de energia elétrica em maio de 2025 e comunicou à UTE, no mês seguinte, que pretendia rescindir os contratos, de acordo com um documento interno da concessionária analisado pela Reuters. A UTE aprovou documentos contratuais revisados em um esforço para preservar o projeto, mas os representantes da Tether não compareceram à assinatura.
A UTE cortou o fornecimento de energia elétrica às instalações de mineração em 25 de julho de 2025. Reportagens locais da época estimavam os atrasados da Microfin em quase US$ 5 milhões e sua conta mensal de energia em cerca de US$ 2 milhões. A dívida havia ultrapassado a garantia oferecida pela empresa, informou o jornal El Observador.
A Tether notificou as autoridades trabalhistas do Uruguai em 25 de novembro que encerraria suas operações. O fechamento eliminou 30 dos 38 postos de trabalho locais da empresa, segundo o Teledoce. A UTE informou à Reuters que a Microfin quitou suas dívidas pendentes em dezembro.
O fracasso é notável porque o sistema elétrico do Uruguai inicialmente parecia bem adequado à estratégia declarada da Tether de associar a mineração de criptomoedas à energia limpa. Fontes renováveis forneceram 98% da geração de eletricidade do país em 2025, lideradas pela energia hidrelétrica e eólica, segundo o Ministério da Indústria, Energia e Mineração do Uruguai.
Mas o fornecimento renovável não significa necessariamente preços baixos de eletricidade. Os mineradores de Bitcoin competem principalmente pela capacidade de obter energia barata e contínua, já que seus computadores especializados operam 24 horas por dia. O Uruguai oferece uma rede elétrica confiável e forte conectividade, mas especialistas do setor citados pela Reuters afirmaram que seus custos de energia tornam o país menos competitivo para a mineração do que os mercados vizinhos.
Essas pressões aumentaram desde o “halving” do Bitcoin em abril de 2024, um evento programado que reduziu pela metade a recompensa recebida pelo processamento de um bloco de transações. Os mineradores responderam instalando máquinas mais eficientes, mudando-se para mercados de energia de menor custo ou adaptando a infraestrutura para inteligência artificial e computação de alto desempenho.
Para a Tether, a perda é pequena em relação aos lucros gerados por seu negócio principal de stablecoins, mas expõe os riscos de execução em sua expansão para além dos tokens digitais. A empresa de capital fechado registrou mais de US$ 10 bilhões de lucro em 2025 e informou que seu portfólio de investimentos próprios ultrapassou US$ 20 bilhões no final do ano. Esses investimentos abrangem os setores de energia, inteligência artificial, mídia, agricultura e outros, e são mantidos separados das reservas que respaldam sua stablecoin USDT, de acordo com as divulgações financeiras da Tether.
A Tether continua a promover a mineração de Bitcoin como parte dessa estratégia de diversificação e afirma ter operações em outros locais, incluindo El Salvador. A retirada do Uruguai, no entanto, mostra que o acesso à eletricidade renovável por si só não é suficiente: para a mineração em grande escala, o preço, a quantidade e a segurança contratual do fornecimento de energia podem determinar se todo um investimento sobrevive.
Este artigo foi traduzido do inglês usando IA. A versão original em inglês é a fonte autorizada; traduções automáticas podem conter imprecisões, especialmente em terminologia jurídica e regulatória.










