A Orlen, empresa estatal de energia da Polônia, perdeu centenas de milhões de dólares após o fracasso de um plano secreto para comprar petróleo venezuelano com desconto por meio do “tether”.
Como US$ 230 milhões em criptomoedas pelo petróleo venezuelano desapareceram em pen drives

Pontos principais
- A empresa de energia polonesa Orlen perdeu até US$ 424 milhões depois que um adiantamento de US$ 230 milhões em USDT para a compra de petróleo venezuelano desapareceu por meio de intermediários.
- O fracasso destaca os grandes riscos de contraparte ao usar o Tether como sistema de pagamento fora do balanço para commodities.
- Três ex-executivos da Orlen podem pegar até 25 anos de prisão, enquanto a empresa busca uma arbitragem internacional.
Milhões desaparecidos e pen drives
Uma tentativa clandestina da gigante estatal de energia da Polônia de comprar petróleo venezuelano com desconto usando criptomoeda desmoronou-se, transformando-se em um dos maiores escândalos corporativos e políticos da história do país, deixando centenas de milhões de dólares sem paradeiro.
De acordo com uma reportagem do Financial Times, a Orlen perdeu até US$ 424 milhões após um esquema no final de 2023 para contornar os sistemas bancários tradicionais usando o Tether, uma stablecoin atrelada ao dólar conhecida como USDT. A iniciativa teve início no final de novembro de 2023 em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, quando Samer Awad, então diretor da Orlen Trading Switzerland (OTS), se reuniu com Kam Ho “Alex” Tse, o fundador de 25 anos da Hannon International, empresa de comércio sediada em Dubai.
Na época, o governo dos EUA havia flexibilizado temporariamente as sanções ao setor energético da Venezuela, abrindo uma janela de oportunidade para adquirir petróleo bruto pesado Merey 16 com descontos significativos. No entanto, a petrolífera estatal venezuelana PDVSA estava praticamente isolada das redes bancárias ocidentais e exigia pagamentos antecipados parciais em USDT para realizar as transações.
Poucos dias após assinar um contrato de 6 milhões de barris de petróleo bruto, a OTS transferiu à Hannon um adiantamento de US$ 230 milhões sem garantia. Embora o contrato formal não fizesse menção explícita à criptomoeda, a Hannon foi encarregada de converter o dinheiro em USDT para garantir a alocação de cargas da PDVSA.
Por sua vez, Hannon recorreu a vários intermediários de Dubai e corretores venezuelanos para converter os fundos em dólares em tokens digitais. Registros judiciais, comunicações internas e análises de blockchain citados pelo Financial Times revelam que Hannon converteu um lote inicial de fundos por meio de uma empresa financeira de Dubai, pagando US$ 400 mil em taxas para obter 80 milhões de USDT. Outros US$ 135 milhões enviados a outro intermediário renderam apenas 85 milhões de USDT, deixando um déficit de US$ 50 milhões.
Após a transação, representantes de Hannon viajaram para Caracas, na Venezuela, para se encontrar com corretores locais ligados à PDVSA. Ao longo de várias semanas em janeiro de 2024, chaves privadas de criptomoedas que controlavam dezenas de milhões em USDT foram entregues em pen drives em restaurantes e quartos de hotel.
Representantes da Hannon entregaram um pen drive contendo acesso a 60 milhões de USDT em 5 de janeiro de 2024, seguido por um segundo pen drive com 50 milhões de USDT em 28 de janeiro. Outros pen drives contendo 22 milhões de USDT foram entregues entre fevereiro e março de 2024.
Repercussão política e acusações criminais
Logo após as transferências, perdeu-se o contato com os corretores venezuelanos e, como resultado, a PDVSA não pôde liberar as cargas de petróleo. Apenas um navio foi carregado, recebendo cerca de 500 mil barris de óleo combustível no valor de US$ 28,8 milhões — uma pequena fração do pedido previsto. A Orlen cancelou oficialmente o contrato em março de 2024.
Levando em conta os adiantamentos perdidos, as taxas de afretamento de navios, as despesas jurídicas e os passivos acumulados, as autoridades polonesas estimam que as perdas financeiras totais da Orlen decorrentes do negócio estejam entre US$ 378 milhões e US$ 424 milhões.
As revelações causaram comoção na Polônia, que ainda se recupera do colapso da corretora de criptomoedas Zondacrypto em abril e da prisão do ex-presidente do Comitê Olímpico Polonês, Radosław Piesiewicz.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, condenou publicamente a operação, descrevendo-a como uma “vergonha diante do mundo inteiro”. Tusk, cujo governo continua em conflito com o setor de criptomoedas polonês, dirigiu críticas ao governo anterior do partido Lei e Justiça (PiS), questionando como fundos públicos foram convertidos em USDT em um país estrangeiro.
O Ministério Público polonês abriu inquéritos criminais contra a diretoria da OTS, o que resultou em acusações formais contra três ex-executivos de alto escalão, que podem receber penas de prisão de até 25 anos.
Enquanto isso, a nova equipe administrativa da Orlen repudiou a estrutura da transação e iniciou um processo de arbitragem internacional em Dubai para recuperar o adiantamento de US$ 230 milhões. A Hannon afirma ter agido de boa-fé seguindo as instruções da Orlen e nega qualquer responsabilidade pela perda posterior dos ativos digitais.
Este artigo foi traduzido do inglês usando IA. A versão original em inglês é a fonte autorizada; traduções automáticas podem conter imprecisões, especialmente em terminologia jurídica e regulatória.












