O governo Trump propôs a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação alega que o Brasil “prejudicou injustamente as empresas americanas que atuam no setor de serviços de pagamentos eletrônicos” ao promover o Pix.
EUA miram o Pix do Brasil: relatório comercial alega que sistema de pagamentos instantâneos restringe o comércio americano

Principais conclusões
- Citando a Seção 301, o USTR alega que o Pix brasileiro prejudica as empresas do mercado americano, propondo medidas tarifárias contra ele.
- Após 7 bilhões de transações em abril, Lula defende o domínio de mercado do Pix e bloqueará futuras mudanças.
- Antes das eleições de outubro, Flávio Bolsonaro se reuniu com Donald Trump para discutir as regras de mercado da Seção 301.
Brasil enfrenta tarifas de 25% por ter criado o Pix
O Pix, principal sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, voltou aos holofotes após ser mencionado no recente relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
O relatório determinou que, juntamente com outras supostas causas, incluindo tarifas preferenciais, fiscalização anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, o Pix onera ou restringe o comércio dos EUA, e as políticas por trás de sua criação são “passíveis de ação nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.

No “Aviso de Determinação e Solicitação de Comentários sobre Ação nos Termos da
Seção 301”, o USTR alega que “os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial do Pix constituem um ônus ou restrição ao comércio dos EUA, ao impor custos aos prestadores de serviços dos EUA e ao forçar os prestadores dos EUA a promover seu concorrente brasileiro, sem compensação”.
O USTR determinou que o duplo papel do Banco Central como regulador e operador do Pix cria um conflito de interesses e prejudica as alternativas sediadas nos EUA ao oferecê-lo gratuitamente a pessoas físicas e limitar suas tarifas para instituições.
A medida vem depois que o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro, principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro, visitou a Casa Branca e se reuniu com o presidente Donald Trump para discutir o crime organizado e as políticas tarifárias caso ele conquistasse uma hipotética vitória nas urnas.
O governo brasileiro manifestou indignação com essas conclusões preliminares, enfatizando que, segundo a legislação brasileira, empresas nacionais e estrangeiras recebem tratamento igualitário.
“O PIX é uma infraestrutura pública e gratuita para pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e amplamente aceita pela população. Suas regras se aplicam de forma uniforme e neutra, e as empresas americanas participam ativamente desse ecossistema”, destacou um comunicado oficial à imprensa.
Lula também defendeu o PIX, que processou mais de 7 bilhões de transações em abril. “O PIX pertence ao Brasil, e ninguém vai nos forçar a mudá-lo, dado o serviço que presta à sociedade brasileira”, declarou.

















