O primeiro ano completo da Cango Inc. como mineradora de bitcoin gerou uma receita de US$ 688,1 milhões, mas encerrou com um prejuízo líquido de US$ 452,8 milhões, impulsionado em grande parte por despesas não monetárias relacionadas a perdas de valor de equipamentos e ajustes contábeis vinculados ao preço do bitcoin.
A Cango registra prejuízo líquido de US$ 452 milhões, apesar da receita de US$ 688 milhões em seu primeiro ano completo de mineração de Bitcoin

Cango vende bitcoins para reduzir dívida e muda foco para infraestrutura de IA em 2026
A empresa listada na bolsa de Nova York (NYSE: CANG), que mudou do financiamento automotivo para a mineração de bitcoin em novembro de 2024, divulgou seus resultados não auditados de 2025 em 16 de março, mostrando uma rápida expansão da receita bruta juntamente com perdas contábeis acentuadas. A Cango minerou 6.594 BTC em suas operações globais e gerou US$ 675,5 milhões em receita de mineração, representando a grande maioria da receita total.
Apesar do prejuízo divulgado, a Cango reportou um EBITDA ajustado de US$ 24,5 milhões para o ano, indicando um desempenho operacional positivo quando excluídos itens não monetários e não recorrentes. A empresa afirmou que seu prejuízo líquido foi impulsionado principalmente por uma baixa contábil de US$ 338,3 milhões em máquinas de mineração e US$ 96,5 milhões em perdas de valor justo relacionadas a recebíveis garantidos por bitcoin.
Os resultados do quarto trimestre refletiram pressões semelhantes, com receita de US$ 179,5 milhões e prejuízo líquido de US$ 285 milhões, em comparação com o lucro líquido no mesmo período do ano anterior. A empresa citou as oscilações do preço do bitcoin no final do ano e os custos relacionados à transformação como principais fatores para o declínio trimestral.

A Cango expandiu agressivamente suas operações de mineração em 2025, produzindo uma média de 18,07 BTC por dia e operando em mais de 40 locais espalhados pela América do Norte, Oriente Médio, América do Sul e África Oriental. Em fevereiro de 2026, sua taxa de hash implantada atingiu 50 EH/s, com produção mensal contínua, incluindo cerca de 496 BTC minerados em janeiro.
Para lidar com a alavancagem, a empresa agiu rapidamente no início de 2026 para fortalecer seu balanço patrimonial. Ela vendeu 550 BTC em janeiro e 4.616 BTC em fevereiro, usando os recursos para pagar dívidas garantidas por bitcoin e melhorar a liquidez. Uma venda em fevereiro de mais de 4.400 BTC gerou cerca de US$ 305 milhões, liquidada em USDT, refletindo uma estratégia de tesouraria focada na eficiência de capital em vez de acumulação de longo prazo.
A Cango também está se reposicionando para além da mineração, promovendo uma mudança para a infraestrutura de inteligência artificial (IA) por meio de sua subsidiária nos EUA, a Ecohash. A empresa está modernizando sua instalação de mineração na Geórgia com sistemas modulares de inferência de IA, com implantações-piloto já em andamento. A iniciativa visa atender à demanda por computação distribuída e de baixo custo utilizando a infraestrutura de energia existente.
A liderança enquadrou a transição como uma continuação de sua estratégia de transformação mais ampla. O CEO Paul Yu disse que a empresa entrou em 2026 focada na otimização do balanço patrimonial e na expansão para serviços de computação impulsionados por IA, enquanto o CFO Michael Zhang enfatizou que o prejuízo líquido decorreu em grande parte de fatores contábeis não recorrentes e impulsionados pelo mercado, em vez de operações essenciais.
O apoio dos investidores continuou durante a transição. Em fevereiro, a Cango garantiu um investimento de capital de US$ 10,5 milhões da Enduring Wealth Capital e US$ 65 milhões em compromissos de capital de sua equipe de liderança, ao mesmo tempo em que recomprou ações sob um programa de recompra existente.
As ações têm sido negociadas recentemente perto de US$ 0,68, uma queda de cerca de 43% nos últimos três meses, refletindo a reação dos investidores às perdas relatadas e às pressões mais amplas do setor de mineração. Os resultados da empresa destacam tanto a intensidade de capital da mineração em grande escala quanto uma tendência crescente entre as mineradoras de realocar recursos para infraestrutura relacionada à IA.
Perguntas frequentes 🔎
- Por que a Cango reportou um grande prejuízo líquido em 2025?
O prejuízo deveu-se principalmente a baixas contábeis não monetárias em equipamentos de mineração e ajustes de valor justo vinculados aos preços do bitcoin. - Quanto bitcoin a Cango minerou em 2025?
A Cango minerou 6.594 BTC durante o ano, com uma média de cerca de 18 BTC por dia. - Por que a Cango vendeu bitcoins no início de 2026?
A empresa vendeu bitcoins para saldar dívidas, reduzir a alavancagem e melhorar a flexibilidade do balanço patrimonial. - Qual é a estratégia de IA da Cango?
A Cango está convertendo sua infraestrutura de mineração em sistemas de inferência de IA por meio de sua unidade EcoHash para atender à demanda por computação distribuída.

















