O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou nesta quarta-feira que acusou formalmente o fundador do Telegram, Pavel Durov, de auxiliar atividades terroristas e o colocou na lista de procurados internacionalmente.
Pavel Durov, do Telegram, entra na lista de procurados da Rússia, enquanto acusações de terrorismo desencadeiam novo confronto

Pontos principais
- O FSB da Rússia acusou o fundador do Telegram, Pavel Durov, de auxílio ao terrorismo em 29 de julho de 2026.
- O FSB afirma que 46 usuários de chatbots, com idades entre 12 e 22 anos, foram detidos desde julho de 2025.
- Durov, que mora em Dubai, pode pegar prisão perpétua caso a Rússia consiga uma condenação.
A acusação contra Durov é o mais recente passo em uma campanha de pressão que tem se expandido progressivamente, indo além de disputas regulatórias e entrando no âmbito da responsabilidade criminal. Em vez de se concentrarem em conteúdos específicos, as autoridades russas agora argumentam que a operação contínua de certos canais, bots e chats pelo Telegram equivale a auxílio direto ao terrorismo.
FSB concentra-se no suposto papel do Telegram
De acordo com o FSB e vários relatórios sobre o assunto, as acusações decorrem de uma investigação criminal em andamento. A agência alega que o Telegram não removeu canais, chats e bots que os serviços de inteligência ucranianos e grupos extremistas usavam para coordenar sabotagens, assassinatos em massa e fraudes cibernéticas dentro da Rússia. As autoridades afirmam que essas operações resultaram em inúmeras vítimas, incluindo mulheres e crianças, além de bilhões em prejuízos.
Casos como esse raramente dependem da possibilidade de provar cada acusação. Em vez disso, os investigadores montam um dossiê que mostra acessos repetidos à plataforma, solicitações documentadas e uma suposta omissão em agir. Isso muda o foco da discussão de decisões isoladas de moderação para a questão de saber se a liderança da empresa permitiu, conscientemente, que a infraestrutura permanecesse disponível após as autoridades terem identificado o problema.
Uma das alegações gira em torno de um chatbot de namoro do Telegram que os serviços de segurança ucranianos teriam usado para recrutar jovens russos para atos de sabotagem. O FSB afirma que 46 usuários desse chatbot, com idades entre 12 e 22 anos, foram detidos em toda a Rússia desde julho de 2025 por agressões a agentes da lei, incêndio criminoso e crimes relacionados.
É possível uma pena de prisão perpétua
Durov enfrenta processo judicial nos termos do Artigo 205.1 do Código Penal Russo, que abrange a auxiliação a atividades terroristas. Uma condenação pode acarretar uma pena de até prisão perpétua.
Se o caso chegará ou não a um tribunal é apenas parte da história. Notificações de procurado internacional podem complicar viagens, aumentar a incerteza jurídica e tornar futuras discussões diplomáticas ou de extradição muito mais difíceis, mesmo quando uma prisão parece improvável.
Durov deixou a Rússia há mais de uma década e agora vive em Dubai, onde o Telegram tem sua sede. Ele possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos.
Um longo conflito com o Kremlin
Durov foi cofundador do VKontakte, a principal rede social da Rússia, em 2006, junto com seu irmão Nikolai. Ele foi forçado a deixar a empresa em 2014 após se recusar a atender às exigências do governo de entregar dados de usuários e censurar críticos do Kremlin. Ele e Nikolai lançaram o Telegram naquele mesmo ano, projetando-o com foco na criptografia e na resistência à vigilância estatal. Desde então, a plataforma cresceu e hoje conta com mais de um bilhão de usuários.
Essa história ajuda a explicar por que a disputa vem se intensificando constantemente. Os confrontos anteriores giravam em torno do acesso às chaves de criptografia e às informações dos usuários. As ações mais recentes passaram a se concentrar na limitação da funcionalidade do Telegram dentro da Rússia, ao mesmo tempo em que aumentaram a pressão jurídica sobre a liderança da empresa.
A Rússia bloqueou o Telegram entre 2018 e 2020 por causa das chaves de criptografia, antes de suspender a proibição depois que a empresa concordou com medidas antiterrorismo. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, o Kremlin restringiu ou baniu o Facebook, o Instagram, o X, o Signal e o Viber. A Roskomnadzor começou a limitar as chamadas de voz e vídeo do Telegram em agosto de 2025 e impôs restrições adicionais em fevereiro de 2026, alegando fraudes e falhas na proteção de dados. Os tribunais russos também multaram a empresa em dezenas de milhões de rublos.
Autoridades russas estão cada vez mais direcionando os usuários para o MAX, uma plataforma de mensagens apoiada pelo Estado que não possui criptografia de ponta a ponta e compartilha dados dos usuários com as autoridades mediante solicitação. No início deste ano, Durov afirmou que as autoridades russas haviam aberto um processo criminal contra ele como pretexto para impor restrições adicionais ao Telegram.
A pressão vem de mais de um país
Este não é o primeiro encontro de Durov com as autoridades criminais.
A polícia francesa o deteve em agosto de 2024 em um aeroporto de Paris por supostas falhas do Telegram em moderar o tráfico de drogas, fraudes e material ilícito na plataforma. Ele pagou fiança de 5 milhões de euros, ficou impedido de deixar a França por vários meses e retornou a Dubai em março de 2025.
Os casos francês e russo diferem em suas bases jurídicas, mas ambos refletem uma mudança mais ampla na forma como os governos abordam as grandes plataformas de mensagens. Em vez de tratá-las estritamente como prestadoras de serviços de tecnologia, as autoridades estão cada vez mais testando se os executivos podem ser responsabilizados pessoalmente pela forma como seus serviços são utilizados.
Extradição parece improvável
Uma extradição dos Emirados Árabes Unidos parece improvável no curto prazo. O Telegram respondeu por meio de sua conta no X, postando uma imagem de Durov mostrando o dedo do meio em resposta às acusações russas. A postagem recebeu 33 mil curtidas, 1,1 milhão de visualizações e 1.400 compartilhamentos no X.
Mesmo que Durov nunca retorne à Rússia, o processo criminal acrescenta mais uma camada a um confronto de anos sobre criptografia, moderação de plataformas e sobre quem, em última instância, é responsável legalmente quando um serviço de mensagens com mais de um bilhão de usuários é utilizado para atividades criminosas.
Este artigo foi traduzido do inglês usando IA. A versão original em inglês é a fonte autorizada; traduções automáticas podem conter imprecisões, especialmente em terminologia jurídica e regulatória.















