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Co-fundador da Quantmap alerta que influenciadores que atuam em uma única plataforma podem estar ocultando seguidores gerados por bots

Para combater a fraude praticada pelos chamados influenciadores, Ivan Patriki, cofundador da Quantmap, incentiva os investidores a avaliarem esses influenciadores, procurando por um engajamento autêntico e presente em várias plataformas.

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Co-fundador da Quantmap alerta que influenciadores que atuam em uma única plataforma podem estar ocultando seguidores gerados por bots

Key Takeaways

  • Um estudo da Coinwire de 2024 revela que 76% dos influenciadores X promoveram moedas meme que caíram no esquecimento.
  • Mega-influenciadores com mais de 200.000 seguidores tiveram retornos negativos catastróficos de 89% em suas promoções de 90 dias.
  • Ivan Patriki, da Quantmap, prevê que, até 2031, a confiança do público superará a simples contagem de seguidores no TikTok.

O colapso da influência

Um estudo realizado no final de 2024 levantou o véu sobre a “cultura do shill” que permeia o ecossistema Web3, ao revelar que impressionantes 76% dos influenciadores da X utilizaram suas plataformas para promover moedas meme que, desde então, entraram em colapso. Ainda mais condenatório, dois terços desses ativos digitais são agora considerados funcionalmente sem valor, deixando os investidores de varejo arcando com o prejuízo de projetos liquidados.

O estudo destacou ainda uma bizarra relação inversa entre popularidade e desempenho. Personalidades com mais de 200 mil seguidores geraram os resultados mais desastrosos, com suas recomendações resultando em uma perda média de 89% em apenas 90 dias. Esses retornos catastróficos ressaltam uma realidade perigosa: muitas dessas figuras de destaque possuem alcance social significativo, mas carecem até mesmo das credenciais financeiras mais básicas.

Para críticos e órgãos de fiscalização financeira, esses números servem como prova irrefutável da necessidade de leis rigorosas de proteção ao investidor. A disseminação descontrolada de conselhos especulativos provocou uma contraofensiva legislativa em mercados globais importantes, como os Emirados Árabes Unidos e o Reino Unido.

No entanto, justamente quando os reguladores começam a controlar os influenciadores humanos, o cenário mudou. A ascensão dos influenciadores de inteligência artificial está criando um emaranhado jurídico, já que essas entidades digitais podem produzir vastas quantidades de conselhos financeiros com persistência 24 horas por dia, 7 dias por semana, muitas vezes operando em várias jurisdições e sem uma identidade física para ser responsabilizada.

Identificando o fator “bot”: dicas para a segurança do investidor

Essa evolução tecnológica complica a aplicação das leis de proteção ao consumidor, já que os reguladores têm dificuldade em atribuir responsabilidade a uma linha de código da mesma forma que fariam com um malfeitor humano. Ainda assim, especialistas como Ivan Patriki, cofundador da Quantmap, acreditam que existem maneiras pelas quais os usuários podem determinar se seus influenciadores favoritos são seres humanos reais ou bots criados para roubá-los.

Segundo Patriki, uma maneira óbvia de fazer isso é exigir que criadores com dezenas de milhares de seguidores verifiquem suas contas com um documento de identidade oficial. Embora a solução signifique uma erosão da privacidade online, ela é bastante simples, e Patriki acredita que plataformas como Instagram e TikTok implementarão isso em alguns anos.

Na ausência de tais medidas, o cofundador da Quantmap acredita que os investidores em potencial ainda podem se proteger verificando o “engajamento multiplataforma” de um influenciador.
“Se o criador estiver presente em apenas uma plataforma, isso significa que seu número de seguidores pode ser resultado de bots. Se ele não tiver uma comunidade no Discord ou no Telegram, isso significa que sua base de fãs não é forte”, alertou Patriki. “E se estiverem visivelmente sem nenhum conteúdo de formato longo no YouTube, ou não estão interessados nesse fator tão importante para cultivar o público, ou sua IA seria exposta se criassem qualquer coisa com mais de 15 segundos de vídeo.”

A IA ainda pode ser útil de forma positiva, pois permite que os influenciadores respondam a perguntas sutis e específicas do contexto em grande escala, mesmo que não tenham nenhum conhecimento sobre o assunto. No entanto, como Patriki destaca, “aconselhamento financeiro exige responsabilidade”, o que não é possível se um clone de IA operando sob a marca de alguém der orientações sobre um portfólio.
“Acho que o caminho responsável é a transparência. Divulgar claramente quando uma resposta é gerada por IA, restringir a IA a estruturas educacionais baseadas no seu conteúdo e garantir que exista uma camada de revisão humana para consultas de alto risco”, aconselhou o cofundador.

A Mudança em Direção aos Nanoinfluenciadores

Embora muitas empresas da Web3 tenham usado mega-celebridades para promover suas respectivas plataformas e produtos, tem havido uma mudança palpável em direção aos nano-influenciadores. Isso porque eles têm algo que as celebridades fundamentalmente não conseguem criar: uma comunidade genuína onde as pessoas se sentem envolvidas.

Para marcas que buscam causar impacto, os nano-influenciadores são preferíveis porque se conectam significativamente com seu público, em comparação com uma celebridade cujo público “passa de forma passiva”.

Com relação à regulamentação, Patriki argumentou que, a menos que haja fiscalização no nível das plataformas sobre as leis de divulgação — como a “regra dos três segundos” —, os influenciadores simplesmente as ignorarão.
“Até que haja fiscalização no nível das plataformas, não faz muita diferença o que a Índia ou a UE estejam considerando impor às plataformas americanas”, insistiu o cofundador.

Olhando para o futuro, Patriki espera que o ecossistema do marketing de influência fique saturado com apostas, engajamento falso e anúncios não divulgados. No entanto, ele espera que surjam mais criadores focados em construir uma base de seguidores genuína. Em cinco anos, o que um criador terá de mais valioso não será o número de seguidores em uma plataforma, mas a confiança que seu público deposita em seu julgamento e o alcance que ele tem em várias plataformas.

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