O diretor de marketing da Polymarket transferiu mais de US$ 2,5 milhões por meio de uma conta pessoal do PayPal para mais de 800 pessoas em 14 meses, incluindo pelo menos US$ 350.000 para influenciadores que promoveram o mercado de previsões de criptomoedas no X sem revelar que estavam sendo pagos, segundo reportagem do POLITICO.
CMO da Polymarket usou conta pessoal do PayPal para pagar influenciadores, segundo reportagem do POLITICO

Principais conclusões
- O diretor de marketing da Polymarket, Matthew Modabber, enviou mais de US$ 2,5 milhões via PayPal pessoal para mais de 800 pessoas em 14 meses, segundo o POLITICO.
- Pelo menos 20 criadores pagos publicaram mais de 490 vezes sobre a Polymarket no X sem divulgar que estavam sendo pagos, segundo o POLITICO.
- A Polymarket gastou US$ 112 milhões em uma bolsa licenciada pela CFTC enquanto busca reentrar no mercado dos EUA.
US$ 2,5 milhões por meio de uma conta pessoal do PayPal
De acordo com uma investigação do POLITICO publicada na sexta-feira, o diretor de marketing da Polymarket, Matthew Modabber, usou uma conta pessoal do PayPal para enviar mais de US$ 2,5 milhões a mais de 800 pessoas entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026. Pelo menos US$ 350 mil desse montante foram para criadores de conteúdo nas redes sociais que promoveram a bolsa no X. A reportagem revelou que cerca de duas dúzias deles publicaram aproximadamente 490 vezes sem divulgar que haviam sido pagos.
Os destinatários abrangiam todo o espectro político e incluíam figuras como Nick Shirley, Riley Gaines e Brian Krassenstein. Aproximadamente um terço das postagens apresentava mudanças rotineiras nas cotações de apostas da Polymarket como novidades “DE ÚLTIMA HORA” ou “NOVAS”. A conta em si teria sido registrada com um e-mail vinculado a uma loja de saladas da qual Modabber é cofundador, segundo a reportagem.
Um criador que falou com a POLITICO anonimamente disse que a Polymarket fornecia roteiros e determinava quando as postagens seriam publicadas. “Eles realmente nos diziam: ‘Este precisa sair agora’, como se fôssemos gado”, disse a pessoa. Shane Ginsberg, que segundo a POLITICO recebeu pelo menos US$ 77.000, dirigia uma operação de vídeos de entrevistas nas ruas chamada Street Poller, cujos entrevistadores às vezes promoviam a plataforma sem mencioná-la.
Os pagamentos contrastam de forma incômoda com a imagem pública da Polymarket. Depois que um usuário do X escreveu em agosto passado que o reconhecimento da marca da plataforma “não pode ser falsificado”, Modabber compartilhou a postagem e acrescentou: “NÃO PODE SER FALSIFICADO”. A Comissão Federal de Comércio exige que os influenciadores divulguem qualquer vínculo material com uma marca que promovam, e um ex-funcionário da agência disse ao POLITICO que endossos pagos exigem divulgação clara e visível.
Um porta-voz da Polymarket descreveu o trabalho com influenciadores como uma prática comercial padrão, mas se recusou a comentar sobre as políticas de divulgação da empresa ou o uso de uma conta pessoal por Modabber quando solicitado a comentar pelo POLITICO para a matéria. A reportagem não alega que os pagamentos em si fossem ilegais, e nenhum órgão regulador anunciou uma ação até o momento da publicação.
As revelações chegam em um momento delicado. A Polymarket voltou à liderança de um setor de mercados de previsão em expansão ao lado da rival Kalshi, que acusou de espionagem corporativa há poucos dias, mesmo enquanto busca a legitimidade regulatória que a promoção paga não divulgada poderia complicar. A empresa já havia sido alvo de escrutínio por pagar influenciadores dos EUA por volta das eleições de 2024, quando posts patrocinados se espalharam sob tags como #PMPartner. Desta vez, os registros do POLITICO mostram o dinheiro circulando discretamente pela conta pessoal de um executivo, e os criadores apresentando-o como notícia.

















