A forte retração do ouro em meio à diminuição das tensões geopolíticas esconde uma narrativa macroeconômica mais profunda, já que os riscos persistentes de inflação, a expansão fiscal e os padrões históricos alimentam as expectativas de uma forte alta de longo prazo, segundo Peter Schiff.
Schiff pondera a possibilidade de o ouro chegar a US$ 11.400, enquanto os preços caem e a perspectiva de um aumento de 178% é questionada

Ouro a US$ 11.400? Schiff aponta cenário de alta de 178% enquanto os preços caem
A pressão do mercado sobre o ouro está cada vez mais ligada às expectativas de inflação prolongada e expansão fiscal, conforme destacou o economista e defensor do ouro Peter Schiff em 23 de março em publicações no X. Sua análise apontou os déficits causados pela guerra e as respostas monetárias como forças-chave que moldam a direção dos preços no longo prazo.
A queda do ouro nas negociações recentes refletiu uma reversão acentuada em relação aos níveis recordes, à medida que os investidores reduziram a exposição ao metal apesar das tensões geopolíticas em curso, com as perdas se acelerando na segunda-feira. A queda em relação às máximas históricas fez com que o ouro recuasse de aproximadamente US$ 5.608 por onça no final de janeiro para cerca de US$ 4.429, marcando uma queda de cerca de US$ 1.179 ou uma correção de 21%, enquanto os preços caíram 1,3% durante as negociações de segunda-feira e mergulharam brevemente em direção a US$ 4.100 no intradiário.
A onda de vendas se intensificou após uma postagem nas redes sociais do presidente Donald Trump anunciar uma moratória de cinco dias sobre os ataques militares planejados contra a infraestrutura energética iraniana, citando avanços nas negociações, o que removeu o prêmio impulsionado pela guerra que sustentava o ouro. Schiff opinou:
“Nos primeiros meses da crise financeira global de 2008 [global financial crisis], o ouro despencou 32%, cerca de 40% de seu ganho anterior no mercado em alta. Depois que o ouro atingiu o fundo do poço, ele subiu 178% nos três anos seguintes. O ouro quase atingiu US$ 4.100 hoje, uma queda de 27%, cerca de 40% de seu ganho desde os US$ 2 mil. Um aumento de 178% a partir dessa baixa coloca o ouro em US$ 11.400.”
A evolução recente do mercado introduziu pressão de curto prazo sobre os preços do ouro, mesmo com a persistência de argumentos otimistas de longo prazo. Os fluxos de investidores se desviaram do metal à medida que seu papel de porto seguro foi questionado durante a guerra no Irã, enquanto a queda também teve implicações para as ações de mineração, que normalmente amplificam os movimentos de preço. Os preços mais baixos do ouro reduziram as expectativas de receita para os produtores, ao mesmo tempo em que o aumento dos custos de energia elevou as despesas operacionais, comprimindo as margens em todo o setor.
Riscos de inflação e expansão fiscal ancoram as perspectivas de longo prazo
Comparações históricas fundamentaram sua tese mais ampla, posicionando os ciclos de mercado passados como uma lente para interpretar a volatilidade atual. O economista enquadrou as quedas acentuadas como fases temporárias dentro de avanços de longo prazo, particularmente durante períodos marcados por tensões financeiras e intervenção política. Ao traçar paralelos com a crise de 2008, Schiff enfatizou que quedas de magnitude semelhante já precederam altas prolongadas ligadas à instabilidade macroeconômica.
A deterioração fiscal e o aumento das tensões econômicas formaram outro pilar de sua perspectiva, indo além dos custos imediatos do tempo de guerra. “Se a guerra terminar logo, isso é negativo para o ouro. Mas não o suficiente para compensar tudo o que é positivo. Além disso, o governo ainda pagará para reabastecer as armas usadas e reconstruir o que destruiu. Portanto, haverá déficits maiores e mais inflação do que se a guerra nunca tivesse sido travada”, afirmou Schiff, acrescentando:
“Se você estava otimista em relação ao ouro antes da guerra, deveria estar ainda mais otimista agora. A guerra significa déficits orçamentários crescentes nos EUA, preços disparados de alimentos e energia, recessão, aumento do desemprego, colapso dos preços de ações, títulos e imóveis, aumento do terrorismo e uma crise financeira.”
As expectativas em relação à política monetária e o comportamento do consumidor também foram integrados à sua avaliação da dinâmica da inflação. Schiff relacionou os preços mais altos do petróleo à redução dos gastos discricionários, descrevendo essa mudança como um catalisador para a contração econômica, em vez de inflação imediata. Ele argumentou que as condições recessivas levariam a cortes nas taxas de juros e a uma nova expansão monetária, reforçando a inflação ao longo do tempo e fortalecendo o argumento a favor do ouro à medida que os rendimentos reais diminuem.

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Perguntas frequentes 🧭
- Por que os preços do ouro caíram drasticamente apesar das tensões geopolíticas?
O sentimento de risco dos investidores melhorou após a redução dos temores de guerra, removendo o prêmio geopolítico do ouro. - Qual é a perspectiva de longo prazo de Peter Schiff para o ouro?
Ele espera que o ouro suba significativamente devido à inflação, aos déficits e à expansão monetária. - Como a queda nos preços do ouro afeta as ações de mineração?
Preços mais baixos comprimem as margens, já que as receitas caem enquanto os custos de energia permanecem elevados. - Que fatores macroeconômicos poderiam impulsionar o ouro para cima no futuro?
Déficits crescentes, pressões inflacionárias e possíveis cortes nas taxas de juros poderiam impulsionar a demanda por ouro.













