Wall Street pode em breve perder um de seus rituais trimestrais favoritos — a divulgação dos resultados financeiros das empresas —, já que a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) está elaborando discretamente uma proposta que poderia permitir que as empresas de capital aberto divulgassem seus resultados apenas duas vezes por ano, em vez de a cada três meses.
Relatório: Ciclo de divulgação de resultados de 90 dias de Wall Street corre risco de ser extinto com proposta da SEC

Relatórios semestrais podem substituir resultados trimestrais sob novo plano da SEC
Sim, a rotina exaustiva dos resultados trimestrais — aquela roda de hamster implacável em que executivos prometem crescimento, analistas criticam cada décimo e CEOs suam durante teleconferências — pode finalmente receber um empurrãozinho educado em direção à aposentadoria.
De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que conversaram com Corrie Driebusch, do Wall Street Journal, a SEC está preparando uma proposta de regulamentação que tornaria os relatórios trimestrais opcionais para as empresas de capital aberto dos EUA. Em vez de preencher o conhecido Formulário 10-Q a cada três meses, as empresas poderiam optar por divulgar resultados apenas duas vezes por ano, juntamente com o Formulário 10-K anual.
A proposta pode surgir já em abril, embora a agência ainda não tenha divulgado uma declaração formal. Nos bastidores, os reguladores já vêm conversando com as principais bolsas de valores sobre como suas regras de listagem talvez precisem mudar se o calendário de relatórios de repente deixar de funcionar como um metrônomo.
Por décadas, os relatórios trimestrais têm sido uma das vacas sagradas de Wall Street. Desde o início da década de 1970, as empresas listadas nas bolsas dos EUA são obrigadas a divulgar seu desempenho financeiro a cada três meses, de acordo com a estrutura da Lei de Bolsas de Valores.
Mas os críticos há muito argumentam que o ritual incentiva o que os economistas chamam educadamente de “visão de curto prazo” e o que os executivos costumam chamar de algo bem menos educado.
A ideia de flexibilizar o cronograma vem circulando nos círculos regulatórios há anos. O presidente Donald Trump pediu publicamente o fim dos relatórios trimestrais obrigatórios em setembro de 2025, reacendendo um debate que surge periodicamente em Washington desde pelo menos 2018.
Pesos pesados do mundo corporativo americano também criticaram o ciclo trimestral. O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, e o presidente da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, criticaram abertamente a obsessão com os relatórios trimestrais, argumentando que isso pressiona as empresas a buscar ganhos rápidos em vez de crescimento de longo prazo. Entra em cena a atual liderança da SEC.
Sob o comando do presidente Paul Atkins, a agência sinalizou um esforço mais amplo para reduzir os encargos de divulgação e incentivar a formação de capital — uma frase que, traduzida do jargão regulatório, significa, grosso modo, “tornar a abertura de capital menos dolorosa”.
A proposta divulgada não proibiria os relatórios trimestrais. As empresas que preferirem o cronograma atual poderiam mantê-lo. A regra simplesmente daria às empresas a opção de mudar para relatórios semestrais, caso acreditem que um número menor de relatórios faz mais sentido para seus negócios.
Outros mecanismos de divulgação permaneceriam em vigor. As empresas ainda poderiam divulgar atualizações de lucros voluntariamente, emitir orientações e apresentar relatórios no Formulário 8-K para eventos importantes, como fusões, mudanças na liderança ou desenvolvimentos financeiros significativos. Em outras palavras, a SEC não estaria fechando o fluxo de informações. Apenas abriria um pouco a válvula.
Os defensores argumentam que a mudança poderia reduzir os custos de conformidade e livrar os executivos de passar metade de suas vidas preparando apresentações de resultados e ensaiando explicações cuidadosamente redigidas sobre por que a receita ficou 0,7% abaixo das estimativas.
Empresas menores, em particular, poderiam se beneficiar. A preparação de relatórios trimestrais exige extensas revisões internas, supervisão jurídica e trabalho contábil — um processo que consome tempo, dinheiro e paciência em proporções aproximadamente iguais. Os críticos, é claro, veem a proposta como um risco à transparência.
Defensores dos investidores alertam que menos divulgações obrigatórias poderiam ampliar as lacunas de informação entre os insiders corporativos e os investidores comuns. Quanto maior o intervalo entre os relatórios exigidos, argumentam, maior o espaço para confusão, especulação e surpresas desagradáveis ocasionais.
Ainda assim, o precedente global é difícil de ignorar.
Muitos dos principais mercados já operam com requisitos de relatórios semestrais. A União Europeia eliminou os relatórios trimestrais obrigatórios em 2013, e países como o Reino Unido e a Austrália dependem amplamente de divulgações semestrais com atualizações opcionais.
Apesar disso, grandes corporações nesses mercados muitas vezes continuam divulgando números trimestrais voluntariamente — porque os investidores esperam por eles. Essa mesma dinâmica poderia se repetir nos Estados Unidos. Muitas empresas de grande capitalização podem decidir que manter as atualizações trimestrais é simplesmente bom para os negócios, mesmo que os reguladores deixem de insistir nisso.

A SEC sinaliza uma mudança nos mercados de criptomoedas à medida que o debate sobre a estrutura de ações tokenizadas se intensifica
Os reguladores dos EUA estão avaliando como os títulos baseados em blockchain poderiam transformar os mercados, enquanto os dirigentes da SEC dão sinais de possíveis programas-piloto e isenções que poderiam read more.
Leia agora
A SEC sinaliza uma mudança nos mercados de criptomoedas à medida que o debate sobre a estrutura de ações tokenizadas se intensifica
Os reguladores dos EUA estão avaliando como os títulos baseados em blockchain poderiam transformar os mercados, enquanto os dirigentes da SEC dão sinais de possíveis programas-piloto e isenções que poderiam read more.
Leia agora
A SEC sinaliza uma mudança nos mercados de criptomoedas à medida que o debate sobre a estrutura de ações tokenizadas se intensifica
Leia agoraOs reguladores dos EUA estão avaliando como os títulos baseados em blockchain poderiam transformar os mercados, enquanto os dirigentes da SEC dão sinais de possíveis programas-piloto e isenções que poderiam read more.
Se a SEC seguir em frente, a proposta daria início a um processo regulatório padrão que inclui um período de consulta pública e uma votação da comissão antes que qualquer regra final entre em vigor. Tradução: isso não vai acontecer amanhã. Mas as engrenagens estão claramente girando.
E se a mudança for aprovada, ela marcaria uma das transformações mais significativas nas regras de divulgação corporativa dos EUA em mais de meio século — um momento em que Wall Street poderia finalmente receber permissão para parar de olhar para o relógio a cada 90 dias. Entram em cena os analistas, segurando suas planilhas.
Perguntas frequentes 🔎
- A SEC está eliminando totalmente os relatórios trimestrais de resultados?
Não — a proposta tornaria os relatórios trimestrais opcionais, permitindo que as empresas optem por apresentações semestrais. - Quando a SEC poderia divulgar a proposta oficial?
Pessoas familiarizadas com o assunto dizem que a minuta da regra poderia ser apresentada já em abril de 2026. - As empresas ainda divulgariam os principais desenvolvimentos financeiros?
Sim, as empresas continuariam a usar o Formulário 8-K e atualizações voluntárias para relatar eventos significativos entre os relatórios programados. - Por que a SEC quer alterar as regras de relatórios trimestrais?
Reguladores e líderes corporativos argumentam que menos registros obrigatórios poderiam reduzir os custos de conformidade e incentivar o planejamento empresarial de longo prazo.













