A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) planeja propor regras que excluiriam as stablecoins da cobertura de seguro repassável, destacando uma divisão regulatória entre depósitos tokenizados e stablecoins de pagamento.
Presidente da FDIC propõe excluir stablecoins de pagamento do seguro repassado

Os limites da proteção de repasse
O presidente da Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC), Travis Hill, disse que a agência planeja propor regras que excluiriam explicitamente as stablecoins de pagamento de sua cobertura de repasse. Falando na Cúpula da Associação Americana de Banqueiros em Washington, em 11 de março, Hill delineou a interpretação da agência sobre a Lei GENIUS, uma estrutura legislativa projetada para regulamentar os emissores de stablecoins.
Suas observações ressaltaram uma crescente divisão regulatória entre “depósitos tokenizados” e “stablecoins de pagamento”, com os primeiros recebendo luz verde para o seguro e os segundos enfrentando um firme não.
No centro do debate está o seguro “pass-through” — um mecanismo com décadas de existência que permite que os depósitos feitos em um banco por terceiros, como uma fintech ou corretora, sejam segurados como se os clientes finais tivessem depositado o dinheiro eles mesmos.
Se um emissor de stablecoin mantiver suas reservas em um banco segurado pela FDIC, o seguro pass-through protegeria, em teoria, cada detentor individual de stablecoin em até US$ 250.000 se esse banco falisse. Sem ele, todo o fundo de reserva é tratado como uma única conta corporativa, com o mesmo limite de US$ 250.000, independentemente de conter milhões ou bilhões de dólares.
Embora a legislação não mencione se o seguro repassado pela FDIC poderia se aplicar às stablecoins de pagamento, Hill argumentou que conceder esse seguro violaria o espírito da Lei GENIUS.
“Tratar os detentores de stablecoins como depositantes segurados, mesmo que repassado, parece inconsistente com a proibição da Lei GENIUS de que as stablecoins de pagamento sejam ‘sujeitas ao seguro federal de depósitos’”, disse Hill.
O presidente destacou uma contradição prática. Embora as fintechs terceirizadas frequentemente comercializem a segurança do seguro FDIC para atrair clientes, a Lei GENIUS proíbe estritamente os emissores de stablecoins de fazer isso.
“Parece difícil racionalizar a proibição firme da Lei GENIUS de comercializar stablecoins como sujeitas a seguro de depósito se as stablecoins fossem destinadas a servir como um mecanismo de acesso para contas de depósito seguradas pela FDIC”, observou Hill.
Além dos obstáculos legais, Hill apontou para as realidades operacionais. As regras atuais da FDIC exigem que as identidades dos clientes finais sejam “verificáveis no curso normal” dos negócios — um padrão que, segundo ele, “não é uma característica comum dos grandes acordos de stablecoins atualmente”.
Uma vitória para os depósitos tokenizados
Embora os emissores de stablecoins possam considerar a notícia desanimadora, os bancos tradicionais que exploram a tecnologia blockchain receberam um impulso. Hill esclareceu que os depósitos tokenizados — versões digitais dos depósitos bancários padrão — serão tratados da mesma forma que seus equivalentes analógicos.
“Um produto financeiro que satisfaz a definição legal de ‘depósito’… continua sendo um depósito, independentemente da tecnologia ou do registro utilizado”, disse Hill, afirmando que esses produtos devem continuar elegíveis para tratamento regulatório e de seguro completo.
As observações de Hill são vistas como um “tiro de advertência” em uma batalha legislativa e regulatória cada vez mais acirrada. Ao propor negar o seguro de repasse às stablecoins, enquanto o concede aos depósitos tokenizados, a FDIC está efetivamente escolhendo um vencedor na corrida pelos pagamentos digitais — e esse vencedor são os bancos tradicionais.
Essa medida intensifica a tensão existente entre os emissores de stablecoins e o setor bancário em relação à Lei CLARITY — um projeto de lei sobre a estrutura do mercado atualmente parado no Senado — e à Lei GENIUS, já aprovada. Ao negar o seguro às stablecoins, a FDIC é vista como dando aos bancos um contra-argumento poderoso: as stablecoins são fundamentalmente mais arriscadas do que os depósitos bancários porque carecem de uma rede de segurança do governo.

FDIC Transforma a Lei GENIUS em Prática com Regras para Stablecoins
O FDIC emitiu sua primeira proposta oficial descrevendo como os bancos podem obter aprovação para emitir stablecoins de pagamento. read more.
Leia agora
FDIC Transforma a Lei GENIUS em Prática com Regras para Stablecoins
O FDIC emitiu sua primeira proposta oficial descrevendo como os bancos podem obter aprovação para emitir stablecoins de pagamento. read more.
Leia agora
FDIC Transforma a Lei GENIUS em Prática com Regras para Stablecoins
Leia agoraO FDIC emitiu sua primeira proposta oficial descrevendo como os bancos podem obter aprovação para emitir stablecoins de pagamento. read more.
Excluir as stablecoins da cobertura do seguro também é visto como uma forma de reduzir o risco para o Fundo de Seguro de Depósitos em relação à potencial volatilidade do mercado de stablecoins. Hill concluiu suas observações enfatizando a necessidade de clareza antes que uma crise aconteça.
“Devemos responder a essa questão de forma definitiva por meio de regulamentação, em vez de esperar até que um banco que detém reservas de stablecoins entre em falência”, disse ele.
A FDIC espera solicitar comentários públicos sobre a proposta nos próximos meses, oferecendo ao setor a oportunidade de defender uma perspectiva diferente.
Perguntas frequentes ❓
- O que o presidente da FDIC, Travis Hill, anunciou sobre as stablecoins? Hill afirmou que a FDIC planeja propor regras que excluiriam as stablecoins da cobertura de seguro repassável.
- Qual é a diferença entre depósitos tokenizados e stablecoins de pagamento? Os depósitos tokenizados podem se qualificar para o seguro FDIC, enquanto as stablecoins de pagamento enfrentam rejeição para tal proteção.
- Como o seguro repassado afeta os detentores de stablecoins? Sem o seguro repassado, as reservas para stablecoins são tratadas como uma única conta corporativa, limitando a cobertura a US$ 250.000, independentemente do tamanho do fundo.
- Qual é o próximo passo da FDIC em relação a essa proposta? A FDIC buscará comentários públicos sobre a proposta nos próximos meses, permitindo que os participantes do setor compartilhem suas perspectivas.














