Os reguladores chineses instruíram os principais bancos a reduzirem suas participações em Títulos do Tesouro dos EUA, visando proteger o sistema financeiro dos riscos do dólar e da volatilidade do mercado.
Pequim Insta Credores a Limitar Exposição à Dívida dos EUA em Meio à Volatilidade do Mercado

Um Estoque Decrescente
Num movimento visto como uma maneira de isolar seu sistema financeiro de choques externos, os reguladores chineses teriam instruído as principais instituições financeiras do país a reduzirem suas participações em Títulos do Tesouro dos EUA. A diretiva, transmitida verbalmente aos bancos de primeira linha nas últimas semanas, sinaliza a intensificação do esforço de Pequim para reduzir sua exposição ao dólar dos EUA.
De acordo com um relatório da Bloomberg citando fontes anônimas, o Banco Popular da China (PBOC) e a Administração Nacional de Regulação Financeira apontaram “riscos de concentração” e “extrema volatilidade do mercado” como justificativa para a medida. Embora a orientação não se aplique às reservas estatais oficiais da China, ela tem como alvo aproximadamente $298 bilhões em títulos denominados em dólares mantidos por credores comerciais chineses.
Tendo sido o principal credor dos Estados Unidos, Pequim viu suas participações reduzirem quase pela metade, de um pico de $1,3 trilhão em 2013 para apenas $682,6 bilhões no final de 2025 – o menor nível desde a crise financeira global de 2008. A China agora ocupa o terceiro lugar entre os detentores estrangeiros de dívida dos EUA, tendo sido ultrapassada pelo Japão em 2019 e pelo Reino Unido em 2024.
Os analistas veem esta pressão regulatória como uma defesa pragmática contra a potencial utilização como arma do sistema financeiro dos EUA. Após o congelamento das reservas estrangeiras russas em 2022, Pequim acelerou esforços para construir uma economia à prova de sanções. Ao reduzir as participações no Tesouro, a China também visa fortalecer sua soberania monetária e desacoplar seu ciclo econômico das mudanças nas taxas de juros do Federal Reserve, que recentemente causaram flutuações acentuadas no yuan.
Rompendo o ‘Mar de Dólares’
Além disso, a China tem se voltado para diversificação de ativos, aumentando suas reservas de ouro por 14 meses consecutivos e deslocando algumas participações no Tesouro para contas de custódia na Europa, notavelmente na Bélgica, para obscurecer a verdadeira escala de sua exposição.
Apesar da diretiva, o mercado de títulos do Tesouro dos EUA permanece resiliente, com as participações estrangeiras recentemente atingindo o recorde de $9,4 trilhões, observou o relatório da Bloomberg. O relatório também citou comentários recentes do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que sugeriu que, à medida que a China sai, outros compradores globais estão assumindo.
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O momento dessa orientação regulatória é delicado, ocorrendo poucos meses antes de uma cúpula planejada entre o Presidente Xi Jinping e Donald Trump em Pequim. Enquanto a retórica oficial enquadra a medida como diversificação de risco de mercado, a mensagem mais ampla é clara: a China não está mais disposta a ser um passageiro passivo em um mundo dominado pelo dólar.
“A China pode ser uma baleia econômica, mas está cansada de nadar em um mar de dólares,” disse um analista do Instituto Lowy. “Trata-se de garantir que o sistema possa funcionar independentemente se as relações com o Ocidente se deteriorarem ainda mais.”
FAQ ❓
- O que a China ordenou que os bancos fizessem? Os reguladores disseram aos principais credores para reduzirem as participações em títulos do Tesouro dos EUA.
- Por que Pequim está reduzindo a exposição? Para limitar os riscos do dólar, a volatilidade e possíveis sanções.
- Qual o tamanho das participações da China agora? Cairam para $682,6 bilhões, o menor nível desde 2008.
- Qual o impacto global? Outros compradores estão preenchendo a lacuna à medida que a China se diversifica com ouro e contas de custódia na Europa.













