De Dubai a El Salvador, bitcoiners ricos e entusiastas com bolsos profundos estão silenciosamente se mudando para jurisdições amigáveis ao cripto.
Os Destinos Secretos dos Milionários em Cripto Expats

Nômades Digitais: Para Onde Está Fugindo a Riqueza em Cripto e Por Quê
Lark Davis cresceu em uma pequena cidade mineradora de carvão no oeste da Pensilvânia, escondida nas Montanhas Apalaches. A maioria dos habitantes era pobre, com muitas famílias vivendo abaixo da linha da pobreza, e mesmo hoje, não muita coisa mudou.
“Há uma antiga fábrica de amianto nos trilhos do trem,” Davis explica em uma entrevista em um podcast. “Costumávamos brincar lá quando crianças, o que provavelmente não era o melhor lugar para se brincar, mas enfim, era o que fazíamos.”
Em algum momento nos anos 1990, a mãe de Davis foi atropelada por um ônibus, ganhou uma indenização de $60.000 e comprou um voo só de ida para a Nova Zelândia após encontrar o amor na web.
“Ela começou a procurar encontros pela internet e todo esse tipo de coisa e conheceu um cara na Nova Zelândia,” Davis explica. “Então, nos mudamos para a Nova Zelândia e foi onde vivi a maior parte da minha vida desde os 16 anos até, bem, bem recentemente.”

Mudar-se para a Nova Zelândia, como se vê, colocou Davis em uma trajetória positiva. Depois de se formar na Universidade de Auckland, ele comprou seu primeiro bitcoin em 2017. Hoje, é rumorado que ele vale em torno de $3 milhões. Ele tem múltiplas cidadanias e recentemente relocou sua família de Wellington, Nova Zelândia, para Dubai, Emirados Árabes Unidos (EAU). Davis agora faz parte de um crescente grupo de milionários do cripto que estão se mudando de jurisdições de altos impostos para países amigáveis ao cripto.
“Mais de 80% dos nossos clientes são cripto agora,” diz Rafael Cintron, CEO da Wealthy Expat, uma empresa de assistência de relocação baseada em Dubai. “Estamos recebendo mais investidores institucionais, pessoas que venderam seus negócios; mas nossa especialidade é cripto.”
Como Davis, Cintron também é um investidor rico em cripto. Ele fundou sua empresa após passar pelo processo de adquirir múltiplos passaportes. Ele até renunciou à sua cidadania americana em 2023 e agora divide seu tempo entre Dubai e a Europa Oriental, ajudando outros investidores de cripto a se mudar.

O ex-americano de 28 anos, nascido e criado em Porto Rico, diz que a maioria de seus clientes está simplesmente buscando alívio de impostos altos. “Eles investiram em um ativo extremamente volátil, uma empreitada extremamente arriscada,” Cintron explica. “E agora, quando fazem $10 milhões, precisam dar $4 milhões ao governo.”
Dado este cenário, ele geralmente aconselha os investidores a buscarem residência nos EAU. O país não impõe impostos sobre rendimentos pessoais, nem tributa cripto como investimento pessoal, mesmo após ganhos de capital. Mas o ponto crucial que Cintron enfatiza é obter essa residência antes de ficar rico.
“O problema é que quando você faz o dinheiro, não pode simplesmente sair magicamente e pagar impostos em outro lugar,” ele explica. “Você tem que sair antes de ganhar o dinheiro.”
Embora muitos investidores ricos em cripto possam ter dois passaportes, Cintron diz que um número crescente de seus clientes adquire cidadania em três ou mais países. Ele chama esses países de “jurisdições orientadas por propósito.” Usando os EAU como uma base inicial, um expatriado pode então se expandir para outros países amigáveis ao cripto, como El Salvador ou até mesmo a Suíça.
De fato, Davis deixou Wellington por Dubai no ano passado, mas também gastou $250.000 na cidadania de Granada para toda a sua família. Granada não tem regulamentações específicas para cripto, e várias fontes indicam que ganhos de capital sobre ativos de cripto são tributáveis. Mas para Davis, Granada é um país estratégico para o qual ele pode se mudar se um evento improvável, mas altamente disruptivo, como uma guerra, de repente ocorrer.
“Se, por exemplo, a Nova Zelândia quiser recrutar meus filhos para uma guerra, olá Granada, estamos chegando,” Davis diz com um leve sorriso. “Meus filhos não vão morrer em uma guerra de banqueiros,” ele acrescenta; referenciando um documentário de 2016 que explora os laços entre práticas bancárias e conflitos globais.

Uma vez que um paraíso fiscal adequado, como os EAU, tenha sido estabelecido, e um destino orientado por propósito principal como Granada, São Cristóvão e Nevis ou El Salvador tenha sido selecionado, outros países com requisitos mais rigorosos, como Singapura e Suíça, podem ser explorados. Cintron diz que reserva essas jurisdições de maior atrito para seus clientes mais ricos, dado o quão complicados são os requisitos de residência.
“A Suíça vai ser uma escolha sólida para converter cripto em uma conta bancária, com muita complicação no início,” Cintron explica. O país há muito é um destino para os ultra-ricos, mas os magnatas do cripto são diferentes. Eles têm tendência libertária, com alguns até beirando o anarquismo. Naturalmente, eles abominam procedimentos invasivos como verificações conheça-seu-cliente (KYC) e ter burocratas vasculhando os detalhes mais íntimos de suas vidas financeiras.
“A Suíça vai verificar de onde vem cada centavo do seu cripto,” alerta Cintron.
Há muitas outras grandes jurisdições que são amigáveis ao cripto, mas não tão rigorosas quanto a Suíça. Países da Europa Oriental, como Sérvia, Montenegro e Albânia, são todas ótimas opções segundo Cintron.
Curiosamente, ele também menciona que muitas pessoas consultam com ele, mas nunca tomam uma decisão. Seu conselho é que, independentemente do patrimônio líquido, todo investidor em cripto que acredita que pode ficar rico no futuro deveria, no mínimo, ter um segundo passaporte. Mesmo que uma fortuna permaneça ilusória, uma segunda cidadania ainda será um bom investimento caso, como Davis coloca, uma “guerra de banqueiros” irrompa.
“Basta começar com um país,” exorta Cintron. “Se você é dos EUA, vá para o México, vá para o Panamá, vá para El Salvador… vá para algum outro país. Pelo menos, obtenha um cartão que diga que você pode viver lá com seu cripto.”
FAQ ⚡
- Por que os milionários do cripto estão se mudando para o exterior?
Muitos estão fugindo de países com altos impostos para proteger os lucros do bitcoin e de outros ganhos em cripto. - Quais destinos são mais populares para expatriados do cripto?
EAU, El Salvador e Europa Oriental lideram a lista por seus baixos impostos e políticas amigáveis ao cripto. - Quem está impulsionando esta tendência de relocação?
Empresas como a Wealthy Expat em Dubai se especializam em ajudar investidores a garantir segundos passaportes e residência isenta de impostos. - Que conselho os especialistas em relocação dão?
Mude-se antes que seu cripto disparar. Uma vez que você tenha feito milhões, é tarde demais para evitar a conta de impostos.














