Os mercados globais encerraram a semana sob pressão, à medida que um choque do petróleo, associado ao agravamento das tensões em torno do Estreito de Ormuz, abalou as bolsas de valores em todo o mundo, enquanto os metais preciosos mantiveram-se firmes, com os investidores buscando refúgio diante dos renovados temores de estagflação.
Crise do petróleo impulsiona onda de vendas no mercado global de ações, enquanto metais preciosos e criptomoedas se mantêm estáveis

Choque do petróleo abala mercados globais enquanto ações caem
As ações dos EUA fecharam em baixa na sexta-feira, prolongando um período difícil para o mercado acionário, à medida que o aumento dos preços do petróleo e a tensão geopolítica entre os EUA, Israel e o Irã injetaram nova incerteza na economia global.
O S&P 500 caiu 40,43 pontos, ou 0,61%, fechando em 6.632,19, marcando sua terceira queda semanal consecutiva e uma nova mínima para 2026. O Nasdaq Composite caiu 206,62 pontos, para 22.105,36, enquanto o Dow Jones Industrial Average recuou 119,38 pontos, para 46.558,47. O NYSE Composite também recuou 67,76 pontos, para 22.050,94, refletindo uma fraqueza generalizada em todo o mercado.
Nove dos 11 setores do S&P 500 fecharam no vermelho, com bens de consumo básico e imobiliário entre os que apresentaram pior desempenho, à medida que os investidores reavaliavam as perspectivas econômicas.
O catalisador imediato foi o mercado de petróleo.
O petróleo Brent voltou a subir acima dos US$ 100 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) foi negociado na faixa de US$ 95 a US$ 98, à medida que ataques à navegação comercial e relatos de minas perto do Estreito de Ormuz interromperam um dos corredores energéticos mais críticos do mundo. A estreita via navegável movimenta cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo, tornando qualquer interrupção prolongada uma grande preocupação para o abastecimento global.

Os mercados estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de que os preços mais altos da energia possam reacender a inflação, justamente quando os bancos centrais esperavam flexibilizar a política monetária ainda este ano.
Esse cenário — crescimento mais lento aliado a uma inflação persistente — é a definição clássica de estagflação e tende a ser particularmente incômodo para os investidores em ações.
A pressão não se limitou aos mercados dos EUA.
Interrupção no fornecimento de petróleo causa ondulação nos mercados acionários globais, enquanto o ouro recua, mas ainda se mantém acima de US$ 5 mil
As ações globais também recuaram à medida que o choque do petróleo repercutia nas economias importadoras de energia. O Nikkei 225 do Japão caiu cerca de 1,6%, pressionado pelo enfraquecimento do iene e pela forte dependência do país em relação à energia importada. Na Europa, o DAX da Alemanha caiu 1,4%, o Stoxx 600 recuou 0,7% e o FTSE 100 caiu cerca de 0,6%.
Setores fortemente voltados para a exportação e indústrias sensíveis à energia lideraram as quedas, à medida que os investidores recalibraram as expectativas para o crescimento global.
Nesse contexto, os metais preciosos continuaram a atrair fluxos defensivos, mas esfriaram antes do fim de semana.
O ouro ultrapassou brevemente o nível de US$ 5.100 por onça no início da semana, antes de recuar na sexta-feira para fechar perto de US$ 5.043, uma queda de cerca de US$ 51 na sessão, mas ainda mantendo-se bem acima do limiar.
Analistas do Citigroup haviam projetado em janeiro que o ouro ainda se manteria em US$ 5.000 por onça até março de 2026, citando o aumento do risco geopolítico, restrições de oferta e incertezas em torno da independência dos bancos centrais.
Essa previsão foi efetivamente cumprida.
A prata também recuou modestamente na sexta-feira, sendo negociada perto de US$ 80,89 por onça, uma queda de cerca de US$ 3,36 no dia, após uma alta prolongada que elevou o metal em mais de US$ 50 em relação ao ano anterior. A demanda industrial continua sendo um fator-chave para a prata, que se situa na fronteira entre cobertura monetária e commodity industrial.
Outros metais preciosos apresentaram desempenho misto. A platina foi negociada perto de US$ 2.044 por onça, enquanto o paládio oscilou em torno de US$ 1.582, ambos refletindo a volatilidade ligada ao setor automotivo e à demanda industrial mais ampla.
O fio condutor entre esses mercados é simplesmente o petróleo.

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Se os preços do petróleo permanecerem elevados, os custos mais altos de transporte e produção poderão se espalhar pela economia global. Isso aumentaria a probabilidade de que a inflação permaneça persistente, potencialmente adiando os cortes nas taxas de juros que os investidores vinham antecipando para o final deste ano.
Os mercados já estão começando a se ajustar a essa possibilidade.
O aumento dos preços da energia fortaleceu o dólar americano e elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro, restringindo as condições financeiras mesmo sem medidas adicionais do Federal Reserve. Para as ações, essa combinação tende a pesar sobre as avaliações.
Um subenredo mais discreto nas negociações da semana foi a relativa estabilidade dos ativos digitais.
Enquanto as ações globais caíram, o bitcoin foi negociado perto de US$ 70.900 e registrou alta modesta na semana passada, com a capitalização de mercado das criptomoedas em geral oscilando em torno de US$ 2,42 trilhões. O movimento pouco alterou o sentimento geral, que permanece cauteloso, mas destacou como alguns investidores estão cada vez mais considerando os ativos digitais ao lado das coberturas macroeconômicas tradicionais.
Todos os olhos voltados para o Estreito de Ormuz
Analistas afirmam que a trajetória do conflito que afeta o Estreito de Ormuz provavelmente ditará a direção do mercado nas próximas semanas. Se os fluxos de transporte marítimo forem retomados normalmente, os preços da energia poderão cair rapidamente e proporcionar alívio para os ativos de risco.
Se as interrupções persistirem, no entanto, os investidores podem ter que lidar com um ambiente muito menos confortável — definido por energia cara, inflação persistente e crescimento global mais lento.
Por enquanto, os mercados parecem estar se preparando para o último cenário.
Perguntas frequentes 🔎
- Por que os mercados acionários globais estão em queda neste momento?
O aumento dos preços do petróleo, associado às interrupções no Estreito de Ormuz, está intensificando as preocupações com a inflação e reduzindo as expectativas de crescimento. - Por que o ouro se mantém acima de US$ 5 mil enquanto as ações caem?
O ouro costuma atrair demanda durante crises geopolíticas e temores de inflação, pois é amplamente visto como uma reserva de valor. - A que preço o petróleo está sendo negociado neste momento?
O petróleo Brent subiu para mais de US$ 100 por barril, com o West Texas Intermediate sendo negociado entre US$ 95 e US$ 98. - Como as criptomoedas estão reagindo à turbulência do mercado?
Os ativos digitais permaneceram relativamente estáveis, com o bitcoin sendo negociado perto de US$ 70.900, enquanto os mercados acionários globais recuaram.














