Os acionistas da Bitfarms aprovaram uma ampla reestruturação corporativa que prevê a transferência da empresa para os Estados Unidos e seu reposicionamento como uma empresa de infraestrutura para inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho (HPC).
A reformulação da marca da Bitfarms sinaliza uma forte investida nos centros de dados de HPC e IA

Acionistas da Bitfarms aprovam mudança para Delaware e transição para o código KEEL
A votação, realizada em 20 de março, resultou em uma aprovação quase unânime, com cerca de 99,3% dos votos a favor do plano de transferir a sede do Canadá para Delaware e adotar o novo nome, Keel Infrastructure. A margem ultrapassou o limite exigido de dois terços com folga, sinalizando um amplo alinhamento dos investidores com a direção da administração.
Se as aprovações finais ocorrerem conforme o esperado, a transação está prevista para ser concluída por volta de 1º de abril. Nesse momento, cada ação da Bitfarms será convertida na proporção de 1:1 em ações da nova controladora de Delaware, com negociações previstas para começar sob o código “KEEL” tanto na Nasdaq quanto na Bolsa de Valores de Toronto logo em seguida.
A mecânica é simples, mas a mensagem não é sutil: a Bitfarms está se inclinando fortemente para uma nova identidade. A empresa está se posicionando menos como uma mineradora de bitcoin e mais como uma operadora de infraestrutura norte-americana focada em alimentar cargas de trabalho de IA e computação intensiva em dados.

Essa mudança para IA e HPC não aconteceu da noite para o dia. A administração delineou o plano pela primeira vez em 6 de fevereiro, após uma revisão estratégica de um ano que examinou o apetite dos investidores, o acesso a capital e o posicionamento de longo prazo. A conclusão foi bastante clara: mudar a sede, simplificar a estrutura e encontrar os investidores americanos em seu próprio território.
Consultorias de voto, incluindo a Institutional Shareholder Services, apoiaram a mudança, citando sua lógica econômica. O conselho seguiu o exemplo com uma recomendação unânime, e os acionistas trataram a proposta, em grande parte, como uma formalidade.
Sob a nova estrutura, a Bitfarms torna-se uma subsidiária da Keel Infrastructure Corp., uma entidade recém-constituída em Delaware. As operações, instalações e atividades diárias da empresa permanecem inalteradas, pelo menos por enquanto. O que muda é a embalagem — jurídica, financeira e narrativa.
A reformulação da marca se alinha a essa narrativa. “Keel” faz referência à quilha de um navio, a peça que estabiliza e transforma energia em movimento para frente. A administração tem claramente o objetivo de posicionar a empresa como a infraestrutura fundamental para a próxima onda de demanda computacional, em vez de uma aposta em um único ativo vinculada aos ciclos de mineração de bitcoin.
O CEO Ben Gagnon enquadrou a votação como uma validação de um esforço de longo prazo, observando que a empresa vem se reposicionando há mais de um ano. “A votação de hoje é um reconhecimento do nosso trabalho árduo ao longo de mais de um ano e um marco importante em nossa reorientação estratégica”, disse ele.
Espera-se que a sede nos EUA traga benefícios práticos. Isso inclui acesso mais profundo aos mercados de capitais americanos, melhor alinhamento com investidores domésticos e uma estrutura corporativa mais familiar sob a legislação de Delaware. Há também um ângulo estratégico: operar como uma entidade sediada nos EUA pode facilitar as relações com concessionárias de serviços públicos, reguladores e clientes corporativos ligados à IA e à infraestrutura de dados.
A Bitfarms já possui uma presença considerável na América do Norte, incluindo um portfólio de energia de 2,1 gigawatts que abrange projetos ativos, em desenvolvimento e em fase de planejamento. O escritório da empresa em Nova York deve se tornar sua principal base executiva após a transição.

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Ainda há pontos a serem verificados. A aprovação judicial e as condições padrão de fechamento continuam em jogo e, como em qualquer reestruturação, os riscos incluem atrasos, custos adicionais ou benefícios que demoram mais para se materializar. A empresa indicou aos investidores seus registros para uma análise mais completa dessas variáveis.
Mesmo assim, o rumo já está traçado. Os acionistas endossaram uma mudança que troca uma identidade de setor único por uma visão mais ampla de infraestrutura — uma que coloca a empresa mais perto do centro da demanda por computação de IA, em vez de à margem das forças de mercado do bitcoin.
Perguntas frequentes 🔎
- Para qual nome a Bitfarms está mudando?
A Bitfarms passará a se chamar Keel Infrastructure após sua redomiciliação nos EUA. - Quando as ações da KEEL começarão a ser negociadas?
Espera-se que as ações comecem a ser negociadas sob o código “KEEL” logo após o fechamento do negócio, por volta de 1º de abril de 2026. - As ações da Bitfarms serão convertidas?
Sim, cada ação da Bitfarms será convertida na proporção de 1:1 em ações da Keel Infrastructure. - Por que a Bitfarms está se mudando para os EUA?
A mudança visa melhorar o acesso ao capital americano, alinhar-se aos investidores e apoiar sua estratégia de infraestrutura de IA.















